“Talvez hoje não você entenda os motivos pelos quais sua mãe não te deixa ir àquela festinha que todos vão, que vai ser legal. Talvez hoje você também não entenda que a vida vai além das futilidades, das coisas banais. Mas você vai. Hoje você pode pensar que seus ataques podem te ajudar de alguma forma, mas não; não ajuda, não resolve. Mas, você vai entender. Vai aprender. Vai viver. Vai errar. Vai acertar também. Você vai ter traumas, e talvez ninguém saiba disso. Em algum momento você vai tentar ser imune a tudo. Irá tentar se proteger do máximo de coisas que puder. Sentimentos, principalmente. Porque você já vai saber o quanto eles machucam. Você vai ver também que a sua mãe tinha razão quando falava ‘de boas intenções o inferno tá cheio’. Vai ver também que as pessoas mentem muito bem. Aí você vai se auto-proteger mais ainda. Mas aí você progride, você cresce. E entende que não adianta querer mudar o percurso das coisas. Que aquela birra que você fez, realmente não resolveu nada. Você vai perceber que nem tudo se resolve no grito. E que a sua autoproteção é pura perda de tempo. Porque no final, os momentos são o que fazem valer estar aqui. E essa ‘autoproteção’ só nos priva disso. Dos melhores momentos das nossas vidas.
“Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café às cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos.
“Esses dias tenho pensado em algumas coisa. Várias, pra falar a verdade. Tenho tido várias dúvidas sobre que sou. E sobre que é importante para mim. Estou me afastando de algumas coisas, e tentando deixar na minha vida só o que me faz bem. Isso me fez pensar muito. Há vários caminhos que posso seguir. Mas qual será o melhor? E se eu seguir o errado? Não sei. Afinal, não sei de mais nada. Sinto que todos estão olhando pra mim. Só esperando eu escolher. E errar. Mas eu não sei. Tudo me parece tão errado e tão certo ao mesmo tempo. Todos tem uma opinião sobre o que devo fazer. Mas só estou tentando encontrar a minha opinião. Pois esses dias, eu não sei por onde ela anda. E está difícil achá-la. Poderia dizer que estou em um beco sem saída. Mas não seria exatamente correto. É como se eu estivesse em uma sala com várias portas. Sei que só uma pode ser a correta. E todas as outras só vão me levar a um destino cruel. Mas eu estou aqui. Com muito medo de escolher a errada, para poder se quer, escolher.
“Eu que sempre quis tanto, sempre pedi tanto, hoje só peço cinco minutos ao teu lado. Fecho os olhos e rezo à Deus, todas as noites, para que eu possa sentir o teu cheiro e ver o teu sorriso, assim, bem perto. De um jeito que a tua respiração bata em meu rosto e eu escute o teu coração conversar com o meu. De um jeito que o tempo pareça parar durante esses cinco minutos e que em teus braços eu encontre toda a paz que eu procuro durante todos esses dias sem você. De um jeito que o teu olhar me encontre e me faça sorrir como forma de agradecimento à Deus por ter colocado você em minha vida. De um jeito que me faça entender que se não fosse você, não seria ninguém. Que todo esse amor guardado dentro de mim, foi para você. Só para você. E mais ninguém.
“Não fui projetada para ser feliz 24 horas, eu choro poxa. Choro mesmo, choro um monte, choro rios. DE-SA-BO. Mas depois volto a ser forte outra vez e passa.
“É tanta hipocrisia, é tanta gente vazia, tanto assunto inútil, que ando com preguiça de conhecer pessoas…